ENQUADRAMENTO
A violência doméstica é um fenómeno psicossocial e multidimensional que afeta toda a sociedade. É visto como um fenómeno transversal, que ocorre em diferentes contextos etários, sociais, económicos, culturais e ou religiosos.
É definida globalmente como um comportamento violento continuado ou um padrão de controlo coercivo exercido, direta ou indiretamente, sobre qualquer pessoa que habite no mesmo agregado familiar (por exemplo, cônjuge, companheiro/a, filho/a, pai, mãe, avô, avó), ou que, mesmo não coabitando, seja companheiro/a, ex-companheiro/a ou familiar. Este padrão de comportamento violento continuado resulta, a curto ou médio prazo, em danos físicos, sexuais, emocionais, psicológicos, imposição de isolamento social ou de privação económica à vítima, com o objetivo de dominá-la, fazê-la sentir-se subordinada, incompetente, inferior e provocar um medo constante no seu dia-a-dia.
Uma das maiores e complexas particularidades da violência doméstica é ocorrer no contexto de relações de intimidade (relações heterossexuais, homossexuais e relações de namoro), nas quais o agressor, para além da proximidade afetiva, dispõe de um leque de conhecimentos e estratégias para controlar a(s) vítima(s).
Com o passar do tempo, os atos de violência tendem a aumentar de frequência, intensidade e perigosidade. Assim, não só o risco para a vítima aumenta e as consequências negativas são mais intensas, como, à medida que o tempo passa, ela perde cada vez mais a sensação de controlo e poder sobre si própria e sobre a sua vida, perde o sentimento de autoconfiança e de competência pessoal e desenvolve sentimentos de impotência e de “desânimo aprendido”.
Com este curso pretende-se que os e-formandos desenvolvam competências inerentes à compreensão e intervenção positiva em situações de violência doméstica.